Fev
06

Os 10 maiores terrores tecnológicos da última década

Autor // Renato Tarantelli

Os 10 maiores terrores tecnológicos da última década

A década passada será facilmente lembrada pelos grandes avanços tecnológicos, principalmente pelas inovações feitas na internet. Facebook, Google, Wikipédia são alguns desses nomes. Tudo bem que alguns nasceram antes do início do milênio, mas tornaram-se monstros nos anos 2000. Logo, na tecnologia, ou em qualquer outra área, para manter o equilíbrio, junto com cada avanço positivo um negativo surge, mas nesse caso das profundas mentes dos nerds do mal – ou os famosos crackers.

Poderíamos facilmente falar de 100 ou até mesmo 1000 terrores que assombraram as pessoas nessa última década. Alguns até hoje tiram o sono de muitas pessoas. Mas vamos citar apenas os 10 que acredito terem sido os maiores e que em alguns casos mais custaram muito para as grandes instituições em todo o mundo.

bug do milênio

1 - O Bug do milênio
Ano: 2000

Também conhecido por Y2K, era tido como cavaleiro-mor do Apocalipse. Assim que o relógio batesse anunciando o ano de 2000, mísseis nucleares seriam disparados por erro de sistema e o mundo voltaria à época das trevas. A preocupação não era infundada. Sistemas informatizados eram instruídos a exibir o ano, usando dois dígitos e a passagem de 99 para 00 poderia, sim, ocasionar vários erros lógicos, entre eles, registrar o ano seguinte como 1900. Por sorte, vários técnicos estiveram atentos para tal questão (abordada pela primeira vez em 1984) e fizeram as correções necessárias nos sistemas. Por um lado, a mídia transformou o boato em festival, por outro, se em 1984 os técnicos não tivessem dado conta desse erro, muita coisa poderia ter dado errado.

Worm Conficker

2 - Worm Conficker
Ano: 2008-2009

Também conhecido por Downup, Downadup e Kido, o Conficker Worm foi descoberto em 2008. Com voraz apetite por máquinas com sistemas Windows instalado, ele aplicava técnicas avançadas para invadir os sistemas e fazer deles verdadeiros zumbis. Alguns analistas acreditam que a praga tenha infectado até 10 milhões de máquinas e a avaliaram como peste virtual mais poderosa desde 2003.
Havia três maneiras de contrair a infecção: ao explorar uma falha presente nos servidores Microsoft, o worm quebrava as senhas de administrador e infectava mídias removíveis. Assim, Flashdrives, CDRs e outras mídias se tornavam portadores da praga e infectavam máquinas Windows a torto e a direito. O Conficker tinha predileção por redes corporativas; raramente atacava sistemas domésticos.
Em abril de 2009, o último remanescente da família Conficker foi finalmente erradicado da internet – ainda assim os “pais” da praga continuam desconhecidos. O caso tomou tamanhas proporções que a própria Microsoft, junto do ICANN, ofereceu uma recompensa de 250 mil dólares por informações que levassem à prisão e condenação dos programadores responsáveis por esse monstro.

Mydoom

3- Mydoom
Ano: 2003-2004

Era janeiro de 2004, um novo verme arrastava-se do casulo em direção à rede mundial de computadores. Disfarçado sob forma de um anexo em um email devolvido pelo serviço de mensagens eletrônicas, o pestilento enviava mensagens iguais para todos os contatos que pudesse encontrar e, de quebra, infectava pacotes de instalação do Kazaa, ganhando, inclusive essa rede P2P. O nome Mydoom foi cortesia de um funcionário da McAfee, primeiro a descobrir o vírus.
De tempos em tempo, o Mydoom ressurge e sai infectando tudo que puder. Em 2009, uma variante do vírus foi detectada na Coréia do Sul. É mais uma praga de pai desconhecido, mas, para algumas empresas de segurança, o berço do Mydoom fica na Rússia e ele foi encomendado por spammers.
Obs.: Imagem: Senador Americano Schummer em 2004 discursa sobre a falta de centro de combate a cyber ataques.

Anonymous

4- Anonymous
Ano: 2007

De acordo com uma matéria sensacionalista exibida na rede de TV KTTV, pertencente à Fox, o desconhecido fenômeno seria uma “máquina do ódio” e estaria preparado para causar estragos tão imensos que poderia alterar a sequência de acontecimentos narrados no novo testamento.
Felizmente, o alarde era infundado, não havia a menor possibilidade de isso acontecer. O Anonymous era, na verdade, um grupo de usuários randômicos trabalhando em conjunto. A reportagem mais verossímil sobre a "máquina do ódio" foi feita pela Wired. O site se referia ao Anonymous como “bando de adolescentes sem ter o que fazer”. Ainda assim, houve vários ataques a sites, incluindo o da igreja de Tom Cruise. A última ação em conjunto dessa natureza foi percebido quando várias empresas retiraram o apoio ao Wikileaks. Essas companhias tiveram seus sites atacados inúmeras vezes.

RFID

5- RFID
ANO: 2002 até o presente

A tecnologia RFID é aplicada em aparelhos para realizar a leitura de vários códigos. Normalmente, encontradas em etiquetas magnéticas afixadas em produtos, essas etiquetas carregam um chip que, uma vez lido por outro dispositivo, trocam informações.
A tecnologia foi duramente criticada e não faltam motivos para tal. Os fabricantes dos chips podem não fazê-lo de propósito, mas, ainda assim, invadir chips RFID é algo simples. Em tese, eles podem ser usados para rastrear quem os carregue e determinar não só sua localização, mas, em um cenário mais obscuro, transmitir informações sobre os hábitos de consumo da pessoa.

I LOVE YOU

6 - I Love You
ANO: 2000

O ILOVEYOU foi um vírus que chegava às caixas postais com um arquivo em anexo. No caso era um arquivo escrito em VBS (script de visual basic) e, para enganar os usuários, vinha disfarçado em forma de arquivo de texto LOVE-LETTER-FOR-YOU.TXT.vbs. Assim que era executado, o virus enviava a si mesmo para os primeiros 50 contatos das caixas de email e substituía todos os arquivos de imagem .jpg e texto do Word .doc, por cópias dele mesmo.

O ILOVEYOU fez um sucesso enorme, principalmente porque era enviado a partir de contatos conhecidos e por seu disfarce aprimorado. Era outro vírus voltado exclusivamente às máquinas com Windows e os números são assombrosos: 50 milhões de PCs infectados e 5.5 bilhões de dólares em prejuízos.

Várias instituições sérias desligaram seus serviços de email quando a praga se espalhou, entre essas o Pentágono, a CIA e o Parlamento Britânico.
Na época do acontecimento, não havia leis contra esse tipo de crime, então, quando dois estudantes foram presos por criar o vírus, não houve como condená-los.

Celulares Derrubando Aviões

7 - Celulares Derrubando Aviões
Ano: desde 2000

Estranho, como toda a conversa que circula sobre aviões serem afetados pelas ondas dos aparelhos celulares, os oficiais de segurança dos aeroportos não deixa ninguém embarcar com água mineral ou uma lixa de unhas. Em contrapartida, os temidos e perigosos celulares passam ao largo por Polícia Federal, FBI, CIA e outros.
Jamais houve qualquer caso documentado que comprovasse um celular ser capaz de derrubar um avião. E não faz sentido mesmo, ou acha que deixariam 250 pessoas entrar em 500 toneladas de aço e combustível se houvesse o menor perigo do avião cair se todos ligassem seus gadgets com função de telefone?
Recentemente a ANAC liberou o uso de celulares em alguns vôos.

O WITTY WORM

8 - O WITTY WORM
ANO: 2004

Detectado em 2004, o Witty Worm foi um vírus perigoso por vários motivos. Ele carregava uma carga de instruções que lentamente destruía o computador infectado.
Mesmo tendo infectado apenas 12 mil máquinas – nenhuma delas doméstica – o vírus foi um real problema. Ele abria uma porta no firewall de sistemas ISS (Internet Security Systems) de redes corporativas. E essa capacidade assustava aos webmasters, pois perfurar a segurança de redes com ISS era algo considerado impossível.

Obs.: A imagem do bichinho inofensivo não é da praga, mas sim de um brinquedo chamado Witty Worm 22020.

KoobFace

9 - KoobFace

ANO: 2008

Nasceu em 2008 e de lá para cá é o vírus especializado em redes sociais mais conhecido que existe. Não só isso, mas o vírus também não faz distinção entre sistemas operacionais. Infecta Windows, Mac OS e Linux (isso mesmo até Linux). O malware é realmente bom em capturar nomes de usuários e senhas, mas não procura por informações financeiras na máquina infectada – de certa forma, um alívio.
Ser infectado pelo Koobface não é simples e requer que o usuário colabore, e muito. Primeiro, a vítima recebe uma mensagem com um link de outro usuário da rede social. Depois de clicar no atalho da mensagem, a pessoa é convidada a fazer o download de um arquivo (normalmente disfarçado de arquivo Flash da Adobe) e deve executar esse arquivo baixado.
Uma vez executada essa rotina, o Koobface se alastra pela rede de contatos da vítima. O fato de o Koobface enviar mensagens a conhecidos da rede e de usar linhas de título criativas nas mensagens, complica bastante o combate à praga. Estima-se que mais de 500 mil computadores tenham sido atingidos pelo Koob. Recomendo que leia esse post na Wired.

Stuxnet

10 - Stuxnet
ANO: 2010

Em Junho de 2010 uma empresa de antivírus chamada VirusBlokAda encontrou na rede uma ameaça que ficou conhecida como StuxNet. O Stuxnet é um vírus, mais precisamente um Worm (programa auto-replicante) que ao contrário dos demais vírus possui alvos bem definidos, no caso os alvos são sistemas de controle industriais. O Stuxnet foi desenvolvido para controlar e monitorar processos industriais, sendo inclusiva capaz de reprogramar CLP´s (controlador lógico programável) e esconder as mudanças.
Após observações foi constatado que 60% das máquinas infectadas no mundo estavam no Irã, o sugere que o vírus possa ter sido criado por algum governo. Contudo países como Indonésia, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Malásia e Paquistão também tiveram máquinas infectadas pelo Worm. Em 29/11 o Presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad confirmou as suspeitas. Segundo ele o Worm Stuxnet atingiu as centrífugas utilizadas para enriquecer urânio nas instalações nucleares do Irã. O Worm tinha o objetivo de acelerar e em seguida desacelerar as centrífugas, com isso poderia estragar o urânio, ou mesmo estressar o maquinário. Segundo o presidente do Irã o vírus foi contido a tempo.

Obs.: A imagem representa o ataque feito as usinas iranianas.

via: woblinks, computerworld

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